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Crônica de Ademar Rafael

SEJAMOS LIVRES

O ativista/empreendedor social, economista e escritor Eduardo Moreira ao concluir seu livro “A intenção Primeira – Um ensaio sobre a natureza do real” cita um frase atribuída a Mahatma Gandi que aqui transcrevo: “A prisão não são as grades e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão.”

É com este pensamento do grande líder da Índia que pretendo fazer a reflexão desta data. De início gostaria de apresentar um entendimento sobre o que nos disse o pacifista indiano. Para este cronista esta frase cabe sem deixar espaço nenhum no caso de Mandela. O líder sul-africano enquanto esteve preso expurgou totalmente o ódio para libertar seu povo das grades impostas pelos britânicos ao assumir a presidência, cargo
sempre negado aos seus compatriotas.

Ainda sobre o tema veio em minha mente um diálogo que mantive com meu saudoso pai há muitos anos. Ao ler a estrofe a seguir “Não tenho arrependimento/De tudo que se passou/Pois admirador sou/Da Liberdade
do vento/Eu com tudo me contendo/Vou morrer sem vaidade/Eu nunca quis ter bondade/Nem espírito de grandeza/ Eu dou valor a pobreza/Porque tem mais liberdade.”, parte integrante do poema “Tudo que fiz foi perdido”, perguntei de onde ele havia tirado o que diziam os dois últimos versos. Ele me levou até a porta da Casa de Pedra, apontou para duas crianças que brincavam sentadas no meio da rua e perguntou: “Se fossem filhos de ricos estavam ali brincando daquela forma?”.

Ao respondermos a indagação de Quincas Rafael, o poeta das Varas, encontramos sentido pleno na frase inicialmente citada. O que nos prende não são as estruturas e sim a forma que modulamos a liberdade. Portanto invoco cada leitora e cada leitor a nos libertamos, a sermos protagonistas no filme das nossas vidas e nunca nos deixarmos ser manipulados por quem quer que seja, em hipótese nenhuma e sob qualquer argumento. Nesta dura empreitada Deus estará conosco, ele nos quer livres.

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