Com este texto, neste dia que o nordeste brasileiro realiza uma das maiores manifestações culturais com seu aguerrido povo, quero prestar uma homenagem ao amigo poeta, filósofo e professor Genildo Santana pelo seu último trabalho, o livro “Celeste Vidal: Uma vida na ditadura brasileira”.
A obra é uma adaptação de Trabalho de Pesquisa para obtenção de certificado em Pós-graduação de História do Brasil feito pelo autor com extremo zelo em 2015 e agora apresentado para o mundo em forma de livro. Precisa ser lido e discutido pelas gerações atuais tão carentes de boas e confiáveis informações sobre parte da nossa história que os poderosos tentam contar de outra forma.
Como todo trabalho acadêmico que merece este nome o texto é iniciado com um passeio sobre a histografia da ditadura “civil-midiática-militar”. Essa terminologia nos remete ao uma abordagem pouco utilizada e que demonstra com extrema clareza que sem o apoio de uma elite viciada em benefícios, uma imprensa venal e subserviente, uma estrutura militar teleguiada por orientação advinda dos Estados Unidos de América este período escuro que cobriu nosso país por décadas não teria acontecido.
De forma didática Genildo nos apresenta a base do golpe, as formas de torturas utilizadas para sua sustentação, explicado o que era feito e como era feito. Apresenta com exemplar detalhamento, o “Pau-de-arara”, a “Cadeira de Dragão”, o “Choque elétrico”, a “Geladeira” e a “Pressão psicológica”.
A cereja do bolo no entanto é a parte do livro em que o autor fala sobre a professora, poetisa e guerreira Celeste Vidal. Em um texto leve que somente os poetas são capazes do produzir Genildo apresenta uma mulher de fibra e defensora dos direitos socais, que apesar das torturas sofridas “nos porões da ditadura”, seguiu sua luta, jogando gestos dignos e poesias, com a nobreza reservada apenas para pessoas de valor moral e que podem ser tratadas como “gente”. Obrigado poeta, viva a liberdade.



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