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CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

O crocodilo sertanejo.

No final de manhã de 25.12.12, na companhia de Júnior Finfa, visitei Gonzaga Barbosa em sua residência no Sítio Pacús em Afogados da Ingazeira e tive a honra de receber exemplares da sua ultima produção “O crocodilo sertanejo”.

Trata-se de um romance onde registros históricos da região misturam-se com os personagens da ficção formando uma teia onde a maior consistência é a capacidade criativa do autor. A história tem muita aderência com fatos presentes em um país chamado Brasil.

Januário, Janú no romance, é facilmente encontrado nos corredores dos poderes da União, dos Estados e dos Municípios. É parte integrante da realidade brasileira onde políticos de diversas origens acham-se donos não somente dos cargos e sim de tudo que cerca seu campo de ação. Quando não estão no comando colocam pessoas de sua confiança, dóceis aos seus desejos e ávidos pelas regalias que o poder oferece.

Eudócia teúda e manteúda de Janú simboliza cada instituição que se deixa prostituir pelos “donos do poder”. Sobra para Mororó, materializado na figura do povo, os restos. A analogia aqui apresentada tem menos exagero do que podemos imaginar, nossa querida pátria tem sido vítima deste modelo importado na época do império e tão bem conservado em favor dos mesmos e dos seus.

Pedroso é aquele fio de esperança que teima em aparecer de tempos em tempos e que é esmagado pelas forças do mal, suas armas são incapazes de atingir o pelotão formado por corruptos e corruptores. Enquanto a ala de Pedroso é movida pela pureza a ala de Janú é sustentada pela malícia e nesta guerra pouco santa o mal tem vencido o bem com folga.

A leitura do livro nos leva a identificar entre os personagens figuras da política tupiniquim.

Os nomes são ficção, os atos reais, e as vitimas? Gonzaga, eu e você que está lendo esta crônica.

A figura de Gonzaga, sua história, sua fibra e seu exemplo merecem a visibilidade muito maior que é dada. Ouvir seus relatos sobre fatos contemporâneos e de gerações antepassadas é palmilhar em terrenos pisados somente por seres humanos detentores de algo superior, cujo interior extrapola nosso campo de visão, somos miúdos demais para enxergar.

Gonzaga, você representa uma espécie que jamais será extinta. Deus é seu protetor.  Sua bondade e aparente fragilidade, movidas por uma força mágica, afastam os predadores.

Por Ademar Rafael

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