Press "Enter" to skip to content

OPINIÃO DO PERNINHA

A guerra das Pirâmides
No dia 03 de julho, logo que explodiu a intervenção do Ministério Público do Acre proibindo a Telexfree  de continuar tocando as suas atividades no Brasil, fizemos uma matéria sobre as famosas pirâmides financeiras que atuam em nosso País, dizendo que esse ponta pé inicial dado pela justiça acreana funcionou como um alerta para que outros estados acordassem para uma realidade que vinha se alastrando de forma assustadora e, por conseguinte,  surgiram intervenções nas  empresas  BBom e Priples,  que  tiveram, também, as suas atividades interrompidas.
A polêmica é grande e, nesse jogo de interesses, existem os que estão ao lado da justiça, como também existem aqueles que defendem a manutenção das pirâmides, por acharem que não há nada de ilegal. Eu, particularmente, continuo com a mesma tese que defendi na crônica anterior: as pirâmides que eu vi fazerem história foram as Egípcias, de Gizé, famosas em todo o mundo – Quéops, Quéfren e Miquerinos – o resto é conversa fiada.
Essa promessa de esquemas milionários que surgem como um milagre de transformar um investimento baixo em vultosas quantias, num curto espaço de tempo, caiu no gosto dos brasileiros, notadamente dos mais ingênuos que sonham com coisas fáceis sem pesar as consequências advindas.  A arapuca atrai, na maioria, pessoas inocentes que precisam de mais recursos do que possuem, ou aspirantes a espertos, no país em que é a esperteza conta com a impunidade para seguir dando péssimos exemplos.
Em edição recente, o Jornal do Comércio mostrou, a partir de simulações matemáticas, como o prejuízo é certo para 70% dos “investidores”. O professor Roberto Ferreira, da Faculdade Boa Viagem, lembrou que a progressão geométrica em que se baseava o sistema era feita por cartas de recrutamento. Com a internet, a facilidade de multiplicação da ilusão compartilhada aumentou.
Sob a fachada de empresas de marketing multinível, de atuação legal, as chamadas pirâmides financeiras estão na mira da justiça e são assunto no Congresso Nacional.
Algumas foram suspensas no Acre e em Goiás. Outra é investigada no Rio Grande do Norte. Um casal preso em uma delas amealhou a bagatela de R$ 107 milhões em apenas quatro meses. Mas, como revelou a reportagem de Giovanne Sandes, publicada no JC do dia 10/08, há versões não virtuais das pirâmides, que exploram ainda mais o cidadão em situação precária, no interior do Nordeste.
Ocorrências desse tipo foram registradas no Pará, Maranhão, Ceará e em Pernambuco. Falsos consórcios de geladeiras, fogões e outros artigos de utilidades que atraem a massa consumidora, captam dinheiro para as pirâmides, numa modalidade de extorsão que causou prejuízos estimados em pelo menos R$ 50 milhões em locais onde a escassez de condições materiais básicas deveria servir de constrangimento mortal aos golpistas. Mas, pelo contrário, parece que a necessidade das potenciais vítimas atiça a voracidade deles.
Enquanto o Ministério Público tenta fazer o seu dever de casa, os espertalhões, escudados em seus padrinhos políticos, apelam para tudo que encontram pela frente e, na penúltima quarta-feira de agosto, a questão envolvendo as empresas Telexfree e BBom foi discutida às claras em audiência pública na Câmara dos Deputados, por quase cinco horas. Enquanto essa polêmica se arrasta, o que deve acontecer por um bom tempo, perguntamos: quantas pirâmides financeiras são necessárias para eleger um deputado? E quantas podem acabar com as chances de um parlamentar se reeleger?
Os números mostram o peso do tema. Só as duas empresas acima alcançaram mais de 1,2 milhão de pessoas, um público que tomou empréstimos e até abandonou o emprego para investir no lucro alto e rápido pago pelos negócios, suspensos pela Justiça por suspeitas de serem pirâmides financeiras, crime contra a economia popular.
O cerne de toda essa questão é que a proliferação do “trambique” no Brasil requer das autoridades a apuração rigorosa das empresas envolvidas, assim como a punição dos responsáveis pelos crimes cometidos. Como se não bastasse a corrupção que subtrai a poupança pública, a exploração da credulidade do povo não pode continuar em campo livre a assaltar os desavisados.
Por: Danizete Siqueira de Lima.

Seja o primeiro a comentar

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *