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OPINIÃO DO PERNINHA

Água x Alimento – Uma crônica em dois tempos.
Dia desses, lendo a Coluna do Finfa, vi um comentário tratando do descaso existente em nossa cidade quando o assunto é água  – esse precioso líquido que está fazendo tanta falta ao nosso povo. Ele se referia a um funcionário que lavava as pastilhas fixadas nas paredes externas do prédio que abriga o Ministério Público e a agência do Banco do Brasil.
De sã consciência, sabemos que esse é apenas um dos maus exemplos de como o desperdício grassa em função da conduta inadequada por parte dos usuários em geral. Assim sendo, o desperdício passa por lava-jatos, irrigações clandestinas, lavagem de carros utilizando mangueiras nas portas das residências, e, dentro das próprias casas (salvo algumas exceções), a falta de educação também contribui para o desperdício em banhos demorados, torneiras com vazamentos e por aí vai.
É bom que se registre que a preocupação com a água (“o ouro do século”), além de ser Mundial, já se arrasta há bastante tempo. Não pensemos que a escassez do líquido é um privilégio dos nordestinos e muito menos dos sertanejos. Os alertas vem sendo dados e as pessoas resistem em economizar, sem medir as consequências.
Considerando que a água está diretamente ligada à produção de alimentos, achei por bem repassar a matéria que segue, para conhecimento e reflexão dos nossos leitores:
“Um importante estudo retomou o debate sobre como alimentar um planeta que, segundo estimativas, pode chegar a um número entre 9 e 10 bilhões de habitantes no ano de 2050. A conclusão da pesquisa realizada pelo Instituto do Meio Ambiente da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, favorece o vegetarianismo. Para os pesquisadores, a restrição total ou drástica do consumo de carne e de outros produtos de origem animal pode ser a solução para aumentar a disponibilidade de calorias para o consumo humano.
No estudo foram mapeadas as 41 principais culturas do mundo que equivalem a mais de 90% da agricultura mundial. Descobriu-se que 36% das calorias produzidas nessas culturas são direcionadas ao gado. É o caso, por exemplo, da soja no Brasil. Mais da metade da produção do grão é destinada à criação de animais. Já 9% das calorias são utilizadas na indústria, inclusive para a produção de biocombustíveis (em que o milho e a cana-de-açúcar são muito utilizados).
Se esses alimentos fossem utilizados diretamente para alimentar o homem, haveria um aumento em cerca de 70% na disponibilidade de calorias. Assim seria possível alimentar 11 bilhões de pessoas (usando uma dieta de 2700 calorias diárias como referência).
No final de 2012, um relatório divulgado pelo Instituto Internacional da Água também mencionava esse efeito. A pesquisa afirmou que se o consumo de alimentos de origem animal se mantiver, não haverá água suficiente para todos em 2050. A solução apontada na época também recomenda uma dieta próxima à vegetariana.”
Portanto, caríssimos leitores, os dados falam por si e o recado está dado. O resto fica por conta dos habitantes desse imenso planeta, que têm a difícil missão de decidir qual a melhor herança que será reservada para os nossos filhos.

Danizete Siqueira de Lima.

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