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OPINIÃO DO PERNINHA

Perda em dose dupla
No dia 31/07 fizemos uma matéria sobre a morte do garanhuense Dominguinhos, ocorrida na terça feira 23/07, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
Considerando que o espaço do blog só permite que façamos uma matéria por semana, reservamos esta para falarmos de um brasileiro não menos importante, que, coincidentemente, veio a falecer no mesmo dia do cantor e, como o acontecimento envolveu dois artistas que atuavam em palcos diferentes, os brasileiros ficaram divididos entre Minas e Pernambuco, vez que um foi sepultado em Uberaba (MG) e o outro em Recife (PE).
Resolvemos adotar o título acima para fazer justiça ao homenagearmos mais um dos nossos talentos produzidos pelo futebol arte. Trata-se de Dejalma dos Santos, ou Djalma Santos, como era conhecido o nosso ex-lateral direito, bicampeão mundial e ídolo de Palmeiras, Portuguesa e Atlético-PR, falecido aos 84 anos, em Uberaba (MG). Djalma Santos estava internado no Hospital Doutor Hélio Angotti desde o dia 1º de julho, depois de apresentar um quadro de insuficiência respiratória e pneumonia.
Considerado um dos maiores laterais da história do futebol brasileiro e do mundo, Djalma Santos nasceu em São Paulo, em 27 de fevereiro de 1929. Brilhou pelos três clubes citados acima, além de ter passado pela seleção brasileira, onde disputou mais de 100 partidas, incluindo as Copas do Mundo de 1954/58/62 e 66. Ao lado de Pelé, é o único a iniciar pelo menos uma partida de futebol em quatro copas.
Quando jogou na Portuguesa, no final dos anos 40, chegou a atuar como meio-médio – uma espécie de volante -, mas foi na lateral direita onde explodiu e despontou para o futebol profissional, jogando 434 partidas pelo clube onde conquistou dois títulos do prestigiado Torneio Rio-São Paulo, em 1952 e 1955.
Djalma participou, com destaque, de três jogos do Brasil na Copa de 1954, na Suíça. No Mundial de 1958, atuou apenas na partida final, na vaga de De Sordi, lesionado. O Brasil venceu a Suécia por 5 x 2 e ele teve ótima atuação, o que o fez ser apontado como um dos principais atletas do torneio.
Atuou pelo Palmeiras entre 1959 e 1968. Na equipe que ficou conhecido como Academia, conquistou duas Taças Brasil (1960 e 1967), um torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967) – todos alçados à condição de títulos nacionais pela CBF -, um Rio-São Paulo (1965) e três paulistas (1959,1963 e 1966). Ali jogou 498 partidas (295 vitórias, 105 empates e 98 derrotas).
Na Copa de 1962, ele brilhou novamente ao participar das seis partidas da campanha vitoriosa no Chile. Djalma Santos também defendeu a seleção na Copa da Inglaterra, em 1966, quando atuou em duas partidas. Os dois últimos anos de sua carreira foram no Atlético-PR, pelo qual conquistou o Paranaense, em 1970, aos 41 anos. Sua despedida aconteceu em um amistoso, no dia 21 de janeiro de 1971.
Como se não bastassem os dados acima, Djalma Santos foi eleito por especialistas no mundo todo como o maior lateral-direito da história do futebol, inclusive por revistas, jornalistas e outros meios de comunicação. Exemplos: Revista Placar em 1981; Revista Venerdì Magnifici 1997; A Tarde Newspaper (2004); e novamente na revista Placar em sua última pesquisa.
Ele e Franz Beckenbauer são os 02 únicos jogadores no mundo a terem sido escolhidos por 3 vezes consecutivas o melhor jogador em sua posição em Copas do Mundo.
Além de todas as qualidades dessse craque, considerado o melhor lateral direito do mundo, somamos um detalhe digno de registro: terminou a sua brilhante carreira sem ter sido expulso uma única vez.
É por essas e outras que não poderia deixar de fazer esses registros, mostrando o talento futebolístico que o Brasil perdeu, como se não bastasse a ausênsia do nosso tão querido Neném (o Dominguinhos), um filho que Garanhuns jamais esquecerá.
Mas, de uma coisa temos certeza: onde os dois estiverem, cada qual em seu estilo, teremos shows de bola e de muito forró pé-de-serra, isso porque as verdadeiras estrelas não se apagam, apenas mudam de lugar. E por eles devem estar esperando: Luiz Gonzaga, Sivuca, Garrincha, Vavá e tantos outros, que descansam na Glória do Pai.

Por: Danizete Siqueira de Lima

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