A Polícia Federal concluiu inquérito na sexta-feira (19) que indiciou 23 pessoas e apontou um esquema que desviou R$ 1,6 milhão do programa Jampa Digital para ser usado na campanha de 2010 do atual governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) e de seu vice, Rômulo Gouveia (PSD), que é suspeito de ter montado todo o esquema.
De acordo com o inquérito, em 2009, quando era deputado federal, Rômulo Gouveia apresentou uma emenda propondo a criação de um projeto, o Jampa Digital, que deveria levar internet de graça para a população de João Pessoa. O valor total do projeto era de R$ 39 milhões.
Segundo a Controladoria Geral da União na Paraíba, a licitação foi direcionada para que a empresa Idéia Digital ganhasse. A PF afirma que esta empresa desviou R$ 1,6 milhão e pagou R$ 1,1 milhão a outras duas empresas, a Brickell e a Rigusta. Estas duas teriam pago serviços do publicitário Duda Mendonça, que fez a campanha de Ricardo e Rômulo.
O Jornal Nacional procurou em São Paulo o endereço onde as duas empresas que receberam repasse deveriam funcionar, mas descobriu que elas não existem.
A Polícia afirma que a Idéia Digital tentou montar o mesmo esquema em Mato Grosso. A empresa é suspeita de ter pago R$ 235 mil como despesas de campanha do deputado Federal Valtenir Pereira (PSB). Há três anos o deputado apresentou uma emenda para projetos de inclusão digital no estado.
Agora a PF vai encaminhar o inquérito ao Ministério Público Federal com a recomendação de que seja apurada a eventual participação do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, e do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, que, na época, era secretário de Ciência e Tecnologia de João Pessoa.
Em nota, a assessoria do ministro Aguinaldo Ribeiro afirma que a licitação que resultou na contratação da Idéia Digital foi conduzida pela Secretaria de Administração de João Pessoa e que ele não licitou, contratou ou pagou essa empresa na época.




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