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OPINIÃO DO PERNINHA

Os temporais e seus pesadelos.
A “Veneza Brasileira”, como é conhecida a nossa querida capital, destaca-se, segundo a Wikipédia, por possuir o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital; o segundo maior polo médico do País; o melhor aeroporto do Brasil; os dois maiores shoppings centers do País fora do estado de São Paulo; o maior PIB per capita e o maior rendimento per capita entre as cidades da Região Nordeste; o nono maior número de arranha-céus das Américas; uma forte indústria de construção civil e sua região metropolitana, o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que abriga o melhor porto do Brasil, o maior estaleiro do hemisfério Sul, entre outros empreendimentos.
Analisando os dados acima, temos a sensação de que estamos bem pertinho do céu. Mas não é um céu de brigadeiro. Recife também tem problemas. E não são poucos: trânsito caótico, muita sujeira, esgotos a céu aberto, desorganização no centro e principais artérias onde os camelôs ditam as normas, falta de mobilidade para os pedestres, enfim, a maioria dos problemas que toda cidade grande tende a enfrentar.
Como se não bastassem esses, ainda sobra o problema que considero o mais cruciante: a questão dos alagamentos quando as precipitações pluviométricas vêm acima do normal, o que não é incomum. Todos sabem que o fato de estarmos apenas 04 metros acima do nível do mar nos torna mais vulneráveis, e ficamos a mercê da própria sorte sempre que aparecem as famosas enchentes, entre os meses de maio e agosto de cada ano, as quais, normalmente, provocam desabamentos , terror e morte de pessoas mais humildes.
Na sexta feira 17/05/2013 tivemos um temporal que nos causou prejuízos incalculáveis. Após cinco horas ininterruptas, quando se registraram 138 milímetros de chuva, mais de 40% de todo o esperado para o mês de maio (320 milímetros), a cidade virou um inferno: semáforos desligados, falta de energia elétrica em alguns bairros, canais transbordando, ruas intransitáveis, árvores caídas e alagamento por tudo que era lugar. 
Boa parte do comércio, escolas, repartições públicas ficaram impossibilitados de funcionar e tiveram que mandar os funcionários para casa – aqueles que conseguiram chegar, é claro. Isso sem falar nas regiões ribeirinhas, notadamente, naquelas áreas já conhecidas onde a defesa civil está sempre atenta, orientando os moradores a deixarem as suas casas, sob pena de sucumbirem com os deslizamentos de barreiras.
Passado tudo isso, chegamos ao primeiro dia útil após as cheias e vemos uma matéria no Jornal do Commércio mostrando a irritação da oposição na Câmara de Vereadores, com uma enxurrada de críticas ao prefeito Geraldo Júlio (PSB) por conta da viagem do gestor recifense ao Rio de Janeiro no dia do vendaval, mesmo tendo sido informado com antecedência sobre a forte precipitação que atingiria a cidade.
Ora, não estaria alguém querendo tirar dividendos políticos com o sofrimento da população, conforme insinuaram alguns governistas? É possível. Sabemos que a Câmara tem um papel fiscalizador e quando necessário precisa ser enérgica em suas proposições, mas, sabemos também, que a responsabilidade é de todos. Os problemas trazidos pelas chuvas são antigos e vão passando de mandato para mandato. Entra prefeito, sai prefeito, edis se rodiziam, outros se perpetuam por vários mandatos e a única coisa que não muda é esse quadro caótico. Não vemos projetos para melhoria. Ao invés de a oposição criticar a viagem do prefeito deveria esquecer as divergências, sentar com os seus pares e juntos estudarem formas de minimizar esses problemas já que não temos como evitá-los.
Segundo reportagem do caderno Cidades (do mesmo jornal), assinada por Cláudia Parente, a política da CODECIR nos últimos anos é retirar pessoas de áreas de risco sempre que recebe alerta de chuva forte, para evitar que alguém sucumba num deslizamento de barreira. Mas, dessa vez o alerta não chegou e somente a sorte evitou que tragédias acontecessem. Tentando se justificar, o secretário de Recursos Hídricos e Energéticos do Estado, Amir Cirilo, declarou que a população não foi avisada para evitar pânico, como se estivesse falando de um novo “estouro de Tapacurá”.
“Pânico foi sair de casa sem saber que as ruas estavam submersas e ficar ‘boiando’ no trânsito, sendo assaltado por criminosos nos engarrafamentos ou correndo risco de pegar leptospirose nas águas imundas que saíam dos esgotos. Pânico é imaginar que, se outra onda de leste chegar, a sorte pode ser outra, pois as autoridades já mostraram que têm mais desculpas do que obras para apresentar”.
Por: Danizete Siqueira de Lima

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