O fantasma da inflação.
É o fantasma que nos espreita neste ano. Já em janeiro ele dava sinais de que vinha para incomodar, através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (INPCA), que elevou a inflação anual a 6,15%, mesmo com o corte nas tarifas de energia elétrica. Um percentual que ameaça persistir no correr do ano, apesar da declaração da presidente Dilma Rousseff, no Dia Internacional da Mulher, de que não descuida um só momento do controle da inflação, “pois a estabilidade da economia é fundamental para todos nós”, disse a mulher mais poderosa do País, que conhece o assunto de muito perto porque é economista.
Diferente do que prega o discurso oficial, o assunto vem tirando o sono dos economistas e está permanentemente nas mesas do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central, mas é nas ruas e, melhor dizendo, nos supermercados que a inquietação ganha mais corpo. Só para termos um ideia de como andam as coisas, há poucos dias uma reportagem do Jornal do Commércio mostrava como os preços dos alimentos dispararam nos últimos 12 meses.
Só para citar alguns exemplos: o preço da farinha subiu mais de 140%. O tomate subiu 89,40%, a batata inglesa 82%, a cebola 55% e a cenoura 32%.
Sabemos que a seca duradoura que afeta o Estado e o Nordeste contribui – e muito- para o aumento dos produtos hortigranjeiros mas, não é só isso. A questão vai mais além e está relacionada com fatores estruturais para os quais o governo não vem dando respostas que coloque o Brasil num nível mais confortável entre os países emergentes.
Não se resolve o problema da inflação simplesmente eliminando os tributos federais sobre os produtos da cesta básica; consertar furos aqui e ali, também não parece ser o caminho mais indicado e a persistência da inflação leva o Banco Central a aumentar a taxa de juros que, por sua vez, compromete o ritmo da economia.
É preciso que o governo seja enérgico adotando medidas necessárias para resolver o problema de uma vez por todas, e uma delas passa, necessariamente, pela tão propalada reforma tributária que teima em não sair do papel.
Caso persistam esses remendos – que não passam de paliativos-, a Presidente dá uma demonstração de que se sente impotente para abraçar e resolver a causa, além de transmitir à sociedade uma impressão bastante clara de que inexiste um projeto econômico para o País, que seja mais forte que os efeitos conjunturais de secas e quebras de safras.
Em sendo assim, como falar em crescimento e moeda forte se a sociedade sofre os efeitos da inquietação e total insegurança com esse fantasma que nos ronda insistentemente.
Por: Danizete Siqueira de Lima.



Problemas no clima afetam resultado do PIB trimestral.Seca no Nordeste e excesso de chuva no Norte prejudicaram lavouras de grãos, o que trouxe impacto negativo para a economia brasileira.
A seca no Nordeste é a maior dos últimos 50 anos, e não tem prazo para terminar. Além da falta chuva e do caminhão-pipa, incontáveis brasileiros esperam sentados pelas as águas do São Francisco que o governo do ex- presidente Lula prometeu para 2006, 2008 e 2010. Mas, continuam onde sempre estiveram; paradas. “Esta é uma das maiores obras já feitas no mundo, que beneficiará 12 milhões de pessoas, o que significa uma vida melhor aos filhos dos sertanejos”.
A estimativa é que a estiagem provocou no Estado de Pernambuco, governado por Eduardo Campos (PSB), possível presidenciável em 2014, a redução de 710 mil cabeças de rebanho bovino – sendo que 150 mil morreram e o restante foi abatido precocemente. A bacia leiteira estadual sofreu queda de 72% na sua produção.
Quando acontece alguma catástrofe no Sudeste, o governo responde na mesma hora. “Queremos tratamento igual”.
Portanto, a inflação medida nos últimos dias, é reflexo direto da seca na região nordeste. Ou seja, a seca é de ordem natural.
No entanto, as obras em infra-estrutura são de ordem política, e se a transposição já tivesse sido concluída dentro do prazo determinado, com certeza minimizaria e muito os efeitos destruidores da seca.
Postado por:Rubens do Valle.