Press "Enter" to skip to content

OPINIÃO DO PERNINHA

A União Europeia e os riscos Globais.
Dia desses, enquanto aguardava a minha vez para uma consulta médica, comecei a folhear uma revista famosa e uma matéria me chamou à atenção levando-me a algumas reflexões.
Os primeiros Jogos Olímpicos do século atual foram realizados na Grécia, sob o signo da estabilidade e gastos suntuosos, burocracias displicentes, economia aparentemente acima de qualquer turbulência. E, no entanto, com menos de uma década, a Grécia se tornou símbolo da falência de um Estado Nacional.
Em 2007, um ano antes da nova grande crise nascida nos Estados Unidos e que abalou todo o mundo – muito semelhante à quebradeira de outubro de 1929 -, a Espanha vivia seu céu de brigadeiro, com obras fantásticas, como a de Valência, onde se construiu por quase 02 bilhões de Euros um porto para a realização de uma regata internacional.
E o que temos a ver com isso? Muito. Não está sendo dada a atenção devida aos gastos monumentais para a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Não se pensa no que será o nosso País após esses dois eventos internacionais.
Os números falam por si e não deixam de ser preocupantes.  Para que se tenha uma ideia, o custo final da Arena Pernambuco, ou Itaipava, teve um acréscimo de mais de 20% (algo em torno de R$118 milhões) para que a obra fosse concluída até o final de maio visando à Copa das Confederações, e esse acréscimo pode até ser justificado. Mas, o que dizer do Mané Garrincha, em Brasília-DF, que teve suas obras suspensas várias vezes por denúncias de superfaturamento e outras irregularidades que implicam encarecimento dos custos?
Em uma capital que não possui nenhuma tradição ou projeção no cenário do futebol nacional e em cujo campeonato local o público presente à grande final de 2012 não passou de 970 torcedores, se constrói um estádio com capacidade para 71.000 torcedores e que teve o maior custo entre os estádios nacionais. Será por que Brasília é sede do Governo Federal e precisa mostrar para o mundo sua suntuosidade, ou será mesmo irresponsabilidade e falta de compromisso com as questões maiores?
Passadas as Copas das Confederações e do Mundo, qual a utilidade desse estádio? Será que estamos preparados para o gasto de bilhões de reais em obras sem qualquer retorno social, coletivo. Lembremos que a festança passa, mas as consequências ficam conosco.
Não comete qualquer pecado quem analisa um determinado País em comparação a outros, ontem e hoje. A sociedade globalizada há muito deixou de ser uma expectativa. Vivemos globalmente, como consumimos em conjunto. Nossas vidas estão repletas de selos internacionais, especialmente chineses, e que isso tem a ver com o ritmo de sustentabilidade do crescimento nacional, o nível de emprego de nossa população trabalhadora, tanto quanto com a balança de pagamento. 
Não há, pois, como dissociar nosso cotidiano das relações de importação e exportação, de política cambial, da reciprocidade que persegue o equilíbrio. Com isso, queremos dizer que a Europa de hoje pode ser um cenário aplicável a qualquer outro continente, ou país, amanhã, o Brasil inclusive.
Dizer que estamos imunes contra as crises lá de fora ou achar que isso é uma “marolinha” não cabe em qualquer análise da organização –ou desorganização – econômica mundial. Pelo visto, está faltando a devida cautela e a humildade necessária para nos apresentar blindados contra os maus exemplos de outras nações.
Por: Danizete Siqueira de Lima

Seja o primeiro a comentar

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    OPINIÃO DO PERNINHA

    A União Europeia e os riscos Globais.
    Dia desses, enquanto aguardava a minha vez para uma consulta médica, comecei a folhear uma revista famosa e uma matéria me chamou à atenção levando-me a algumas reflexões.
    Os primeiros Jogos Olímpicos do século atual foram realizados na Grécia, sob o signo da estabilidade e gastos suntuosos, burocracias displicentes, economia aparentemente acima de qualquer turbulência. E, no entanto, com menos de uma década, a Grécia se tornou símbolo da falência de um Estado Nacional.
    Em 2007, um ano antes da nova grande crise nascida nos Estados Unidos e que abalou todo o mundo – muito semelhante à quebradeira de outubro de 1929 -, a Espanha vivia seu céu de brigadeiro, com obras fantásticas, como a de Valência, onde se construiu por quase 02 bilhões de Euros um porto para a realização de uma regata internacional.
    E o que temos a ver com isso? Muito. Não está sendo dada a atenção devida aos gastos monumentais para a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Não se pensa no que será o nosso País após esses dois eventos internacionais.
    Os números falam por si e não deixam de ser preocupantes.  Para que se tenha uma ideia, o custo final da Arena Pernambuco, ou Itaipava, teve um acréscimo de mais de 20% (algo em torno de R$118 milhões) para que a obra fosse concluída até o final de maio visando à Copa das Confederações, e esse acréscimo pode até ser justificado. Mas, o que dizer do Mané Garrincha, em Brasília-DF, que teve suas obras suspensas várias vezes por denúncias de superfaturamento e outras irregularidades que implicam encarecimento dos custos?
    Em uma capital que não possui nenhuma tradição ou projeção no cenário do futebol nacional e em cujo campeonato local o público presente à grande final de 2012 não passou de 970 torcedores, se constrói um estádio com capacidade para 71.000 torcedores e que teve o maior custo entre os estádios nacionais. Será por que Brasília é sede do Governo Federal e precisa mostrar para o mundo sua suntuosidade, ou será mesmo irresponsabilidade e falta de compromisso com as questões maiores?
    Passadas as Copas das Confederações e do Mundo, qual a utilidade desse estádio? Será que estamos preparados para o gasto de bilhões de reais em obras sem qualquer retorno social, coletivo. Lembremos que a festança passa, mas as consequências ficam conosco.
    Não comete qualquer pecado quem analisa um determinado País em comparação a outros, ontem e hoje. A sociedade globalizada há muito deixou de ser uma expectativa. Vivemos globalmente, como consumimos em conjunto. Nossas vidas estão repletas de selos internacionais, especialmente chineses, e que isso tem a ver com o ritmo de sustentabilidade do crescimento nacional, o nível de emprego de nossa população trabalhadora, tanto quanto com a balança de pagamento. 
    Não há, pois, como dissociar nosso cotidiano das relações de importação e exportação, de política cambial, da reciprocidade que persegue o equilíbrio. Com isso, queremos dizer que a Europa de hoje pode ser um cenário aplicável a qualquer outro continente, ou país, amanhã, o Brasil inclusive.
    Dizer que estamos imunes contra as crises lá de fora ou achar que isso é uma “marolinha” não cabe em qualquer análise da organização –ou desorganização – econômica mundial. Pelo visto, está faltando a devida cautela e a humildade necessária para nos apresentar blindados contra os maus exemplos de outras nações.
    Por: Danizete Siqueira de Lima

    Seja o primeiro a comentar

      Deixe um comentário

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *