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ESPAÇO DO INTERNAUTA

As desigualdades dos iguais
O barramento do famoso Rio Pajeú, que serpenteia a região, cantado por Luiz “Lua” Gonzaga, nas imediações da cidade mãe  Ingazeira, começa a tomar o “ar da graça” com investimentos físicos realizados no Canteiro das obras no local onde será construída a Parede que barrará o volume “cuspido” pela serpente, sendo o seu veneno o mais doce alimento da vida – água – que irá alimentar pessoas, matar a sede, produzir riquezas, possibilitar que criemos uma “vaquinha” para produzir leite para nossos “moleques buchudos” sertanejos (como diz Junior Finfa: Estica o couro do bucho que “alumia”), diferem e muito dos “guris” sulistas
.
Mas, difere como? São diferentes, sim senhor. Diferente e fortes como a nossa terra que aguenta seca, fogo e desmatamento (para sustentar quem dela vive), “esturrica” mais não morre. Alguns daqueles meninos dos idos de 1940 e 1950 viram chegar a este pedaço esquecido (não diga que não é, veja a data do início da luta?) do Brasil a promessa da Barragem de Ingazeira e que (não) tentam há muitos anos livrar-se do ciclo das secas.
Será que existe realmente vontade política em nos dar condições para nos libertarmos das amarras das dependências e dos programas de governos?
Desde Antônio Conselheiro, em Canudos (lá, sertanejos foram massacrados pelo governo por que lutavam para acabar com a seca e para esconder o crime cometido por quem deveria zelar pelos brasileiros pobres, porém probos, o próprio governo, anos após, construiu uma Barragem para deixar debaixo d’água a história daquela gente).
Pois bem, se não fosse o “Bolsa Família” talvez tivesse havido revolta, evidentemente mais “amena” pelas circunstâncias do progresso midiático, com invasões em casa de comércio de alimentos (invadir as terras da região para quê? O sertanejo ainda não está comendo madeira seca ou a própria terra) para sanar a fome. 
No entanto, não precisa “a Tropa” nos eliminar. Aos poucos nossos bens estão indo embora, depois, seremos nós. Para muitos… e daí?
Pergunto-me, por vezes: o “Bolsa Família é a solução de uma nação do porte do Brasil? E o velho provérbio Chinês, morreu?”
Aqueles meninos dos anos 40 e 50 (que tiveram como caneta a foice, o machado, a ximbanca e a enxada), muitos deles suportaram as secas, muitos (des)governos depois e ainda hoje vivem a esperança de “pescar” nas águas do Pajeú, com anzol de vara de marmeleiro (se ainda tiver), pegar uma “traíra” e cozinhá-la no leite (as grandes tem poucas espinhas), encher a pança e gritar: “fui criado com leite da vaca preta, rapadura com xerém, muito trabalho e sofrimento e não sou diferente de quem foi criado com “iogurte” e “leite desnatado”. Sou nordestino, pajeuzeiro, sou brasileiro. 
Não nos dê “esmolas”, estruture nossa região e lhe agradeceremos, pois “uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
Joel Gomes – Bel. em Direito/Acadêmico em Bacharelado de Administração Pública/UFPB – Campus – Taperoá – PB

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