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ESPAÇO DO INTERNAUTA

Nossa agricultura, nosso orgulho
“Ancora verde, celeiro do mundo, berço esplêndido…”
O Brasil se orgulha da sua natureza dadivosa, de seu clima maravilhoso e da energia de nossa gente que trabalha e faz nossa terra produzir!
O futuro imediato promete turbulências. Preços das commodities continuam em declínio. O Brasil está exportando e continuará provavelmente a exportar, já com preços mais baixos, o que demonstrará o peso dos nossos gargalos estruturais que diminuem mais nossa competitividade. A isso se somarão o peso da formação de preços das grandes companhias internacionais, as barreiras tarifárias e as de vieses ambiental, social e sanitário, que continuam nos perturbando, por exemplo, em relação ao açúcar, ao álcool e à carne bovina.
O Governo Federal apontou para setembro próximo as primeiras licitações de rodovias do programa de concessões. No início deste mês, no 12° Congresso Brasileiro do Agronegócio, o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) Bernardo Figueiredo disse que o agronegócio se expande em regiões cada vez mais distantes dos portos e é um absurdo transportar toda essa produção por rodovia, eu concordo!Porisso é necessário agir e rápido. Os esforços da empresa, segundo ele, estão dirigidos para assegurar até o final do ano as contratações dos projetos incluídos no Programa de Investimentos em Logística (PIL), lançado em agosto do ano passado com previsão de investimentos de R$ 133 bilhões em rodovias e ferrovias no prazo de 20 a 25 anos e vai muito devagar!
Já passou do tempo. Um dos problemas que está ameaçando a competitividade da nossa agricultura e dos nossos agronegócios é a perversa situação logística brasileira. Em 12 anos, a colheita saiu das 100 milhões de toneladas de grãos em 2001-2002 para as 185,7 milhões de toneladas de grãos atuais (projetada) sem suporte de investimentos proporcionais em infraestrutura.
A ausência de planejamento e a falta de visão sistêmica podem ser demonstradas com um exemplo espetacular que acontece sob os olhos atônitos dos cidadãos. Em Sinop e Sorriso, no Mato Grosso, a excelente safrinha de milho estava sendo estocada a céu aberto, por problemas de armazenamento, preço e escoamento para os portos do Sul. Enquanto Santa Catarina, segundo maior produtor e exportador de aves e o mais importante centro de abate e exportação de suínos do Brasil, precisa buscar 2.5 milhões de toneladas de milho por ano do Mato Grosso, Paraná e Paraguai, que percorrem distâncias rodoviárias de até 2.300 quilômetros a preços de frete que abate a remuneração dos produtores. Só agora projetam-se traçados de ferrovias que poderão transportar o milho do Oeste para o Sul e demandar os portos para exportação.
Armazenamento e concorrência
O armazenamento das safras é outra ameaça importante que o governo parece estar disposto a atacar com o anúncio, em junho passado, do Plano Agrícola e Pecuário 2013-2014, que destinou R$ 25 bilhões em recursos para investimentos em armazenagem nas propriedades: R$ 5 bilhões/ano, juros de 3% ao ano e prazo de 15 anos para pagar. Os produtores dizem que as condições são boas, mas esperam que o dinheiro realmente chegue depressa a quem precisa. O gargalo é imenso. Segundo o IBGE, a capacidade brasileira de estocagem está em 158,6 milhões de toneladas de grãos em 9.223 locais em atividade. Maior produtor de milho e soja do País, o Mato Grosso, com safra atual de cerca de 45 toneladas de grãos/ano, tem capacidade de armazenar de 29,5 milhões de toneladas em seu território.
Considero urgente o Governo Federal e o Executivo estabelecerem as linhas básicas de uma política para a concorrência, especialmente na área agrícola onde se desenvolve a concentração de mercados. É preciso atentar para o porte dos empreendimentos e seu alcance no domínio das áreas estratégicas; é necessário modernizar a legislação que regula associações e cooperativas para organizar pequenos e médios produtores. Nesse sentido, o fortalecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da sua estrutura técnica e funcional deveria ser um urgente dever de casa para o governo. Sua fragilidade política e dos produtores rurais tem impedido sistematicamente a execução de um programa consistente de desenvolvimento sustentável da agricultura, retardado investimentos e produzido insegurança no campo.
No caso das questões sanitárias – que só aparecem nas crises – o governo precisa fortalecer, revisar e aprimorar tecnologicamente, com rapidez e cuidado seus protocolos nas áreas animal e vegetal. Avisos não faltam, de técnicos e produtores. Temos um imenso território, extensas fronteiras e, nos últimos tempos, intenso comércio com nossos vizinhos, com a Europa, com a Ásia e forte turismo multilateral. Não se pode brincar com pragas (inclusive internas) e doenças. O preço é muito alto.
Nesta esteira precisamos fortalecer mais ainda a Embrapa e superar entraves burocráticos e preconceitos “ideológicos” diante da pesquisa cientifica e inovação tecnológica.
Finalmente, precisamos recuperar as possibilidades e aproveitar as oportunidades do comércio bilateral, regional e multilaterais internacionais – sem deixar de reforçar e incrementar as relações e acordos com nossos maiores parceiros, como a China – recolocando o País, de forma diplomaticamente moderna e autodeterminada nas mesas de trocas e negócios internacionais.
Nossa agricultura, nossa agropecuária já fez muito pelo desenvolvimento, pelo nosso País!
Poderá, porém fazer ainda mais!
Por: Arnaldo Jardim Deputado Federal PPS/SP é Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Infraestrutura Nacional

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