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Grupo de oposição adia oficialização de candidato à Prefeitura do Recife

JC Online

Antes prevista para ocorrer neste sábado (29), a oficialização do candidato do grupo de oposição à Prefeitura do Recife foi mais uma vez adiada. O coletivo que abraça partidos como o DEM, Cidadania, PSC, PSDB e PL, por exemplo, tem três pré-candidatos, o ex-governador Mendonça Filho (DEM), o deputado federal Daniel Coelho (CID) e o deputado estadual Alberto Feitosa (PSC), mas ainda não decidiu se lançará uma única candidatura para o pleito deste ano ou se vai optar por múltiplas candidaturas.

“Hoje não tem anúncio de candidatura, mas não tenho dúvidas de que o grupo caminha para um consenso. Eu sempre acreditei na unidade e acho que até o último minuto a gente tem que tentar. O bom senso indica esse caminho, da união. Eu vou buscar isso”, declarou o ex-senador Armando Monteiro Neto (PTB), que integra o grupo.

O grupo de oposição reunido hoje em torno da disputa pela PCR é praticamente o mesmo que tentou, em 2018, impedir a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Hoje, o PTB, o PSDB e o DEM apostam em Mendonça para encabeçar a chapa, enquanto Cidadania, PL e PSC acreditam que Daniel seria o melhor nome para representar a coligação na eleição. Apesar da pré-candidatura de Alberto Feitosa, o deputado federal André Ferreira, presidente estadual do PSC, já declarou em entrevistas que revisaria a postulação do parlamentar em prol da unidade do grupo.

Em meio a rumores de que teria desistido de concorrer à prefeitura, Daniel afirmou de maneira irônica, na última sexta-feira (28), que ainda não há martelo batido sobre esse tema. “Eita povo ansioso, esse da política, quando chega perto das convenções. Fiquem tranquilos. Hoje é sexta, amanhã é sábado. Depois domingo. E semana que vem tem mais… Quem tem tempo, não tem pressa”, escreveu o deputado, no Twitter. O prazo para a realização das convenções partidárias começa nesta segunda-feira (31) e segue até 16 de setembro.

A reportagem tentou entrar em contato com Daniel Coelho e com Mendonça Filho, mas ambos não atenderam às tentativas de contato.

Na visão do cientista político Ernani Carvalho, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o lançamento de mais de uma candidatura, em um cenário de fragmentação da Frente Popular, acabaria sendo prejudicial para o grupo de oposição. O docente avalia, ainda, que para ter alguma chance de sucesso no pleito o nome escolhido pela coligação tem que estar minimamente alinhada com o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), uma vez que o eleitorado de centro-direita brasileiro tem crescido significativamente desde 2018.

“A oposição que pode dar certo é aquela que consiga trazer o bolsonarismo para o seu lado e, neste aspecto, o Mendonça Filho tem mais capilaridade, tem mais força. Ele já foi ministro, alguns setores do DEM já começam a se aproximar do presidente. Vai depender de como o bolsonarismo vai ser acolhido na candidatura de oposição”, declarou Ernani.

O cientista político Arthur Leandro, por sua vez, acredita que o lançamento de múltiplas candidaturas não necessariamente seria algo negativo para a oposição, até mesmo pela possibilidade de reorganização das forças políticas locais. “Foi isso o que aconteceu na eleição de 2006, quando Mendonça era governador. A gente tinha uma disputa entre Mendonça e Humberto Costa, com Eduardo Campos correndo por fora. Quando Eduardo foi para o segundo turno, o primeiro ato do PT foi apoiar integralmente o PSB. Agora já faz 14 anos que o PSB está no governo do Estado”, rememorou.

Priscila Lapa, cientista política da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho), lembra que a eleição de 2018 mostrou, com as expressivas votações dos deputados federais João Campos e Marília Arraes, que o eleitor recifense está mais inclinado a votar em um candidato de centro-esquerda e, por isso, uma postulação de oposição precisa estar muito bem estruturada para ser competitiva. “Para enfrentar as candidaturas já postas, a oposição precisa de um projeto consistente e único que possa receber o apoio do maior número possível de partidos e partir na frente com um posicionamento claro e firme de centro-direita. Se não fizer isso, vai acabar se repetindo o que aconteceu em 2018. A dificuldade de encontrar esse nome, de reunir as lideranças em torno desse projeto vai acabar deixando o eleitor sem opção”, pontuou Priscila.


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